Metamorfose[s]

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Pr’aqueles que já foram perturbados pela leitura compacta e profunda do livro homônimo de Kafka(1) será mais fácil sorver esse post.
Ainda assim, você tem a minha palavra de que tratarei de deixar o mais claro possível esta leitura, apesar da [possível] falta daquela.

Passamos todos por metamorfoses.

Ao menos é o que me parece a mim, que já cheguei à terceira década de vida (quase nada, eu sei); ou, olhando sob a perspectiva de iniciante: quem está dando os primeiros passos e suspiros, inaugurando o segundo terço de existência, esperando como uma criança pela próxima surpresa.
E o que resta de quem passa por cada uma dessas mudanças de formas e também de conteúdo?
Uma diluição?
Uma aparência desconhecida?
Ok, vamos sair do lugar-comum? Que tal uma mudança inesperada, imprevista e improvável? Como reagir ao inesperado?
Por favor, não se assuste, é o mínimo que você me deve… Afinal, trinta anos não são trinta dias…
Por favor, tente se lembrar daquilo que sempre fui, da minha essência.
Por favor, quando esbarrar em mim na rua, não me ignore e não me maltrate.
Se puder pedir mais uma coisa só: não me pise, nem me escorrace.
Não me olhe com esses olhos de reprovação.
Não destrua o que restou dessa pessoa.

Pessoa.
Você me vê?  Eu estou aqui e sou de carne e osso, ou melhor, um corpo numa alma.
Talvez não pareça, mas eu ainda penso, sabe?
Eu sinto, sabe?
Você sabe?
Você me conhece??
Ei, eu estou aqui…
Você consegue me ver daí de dentro da sua redoma?
Toc-toc-toc
Você não consegue me ouvir.
Sei que o som é abafado daí de dentro, por isso eu escrevo.
Você vai me deixar ser o que sou?
Você vai me aceitar como sou, ou vai continuar escutando os outros e me percebendo através dos outros olhos dos outros?
Você vai continuar me ignorando, me rejeitando, me excluindo e me escondendo no canto dos olhos e da mente?
Ou talvez eu de fato esteja desaparecendo pra você…
E um belo dia, quando você acordar, eu simplesmente não estarei mais lá.
Invisível […| ?|.]

[Mas isso não será verdade só porque você quer que seja, nem deixará de ser (pelo mesmo motivo).]

Eu bem que disse, essas [metamorfoses] nunca se vão…
A menos que você se vá. [Será?]

E pra terminar, a música que também inspirou e ajudou a [des]construir esse pedaço de MIm:
m.letras.mus.br/u2/invisible-2/#playing

(1) Resumo do livro: pt.m.wikipedia.org/wiki/A_Metamorfose

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Sobre MI e portos e letras…

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Comecei a vida [adulta] por um porto chamado Administração, onde ancorei por dez anos. Nele eu conheci um universo de pessoas e empresas, pessoas que passaram e pessoas que ficaram… aprendizado pra mais de uma vida.
A vida, ah, a vida… essa linda…
A vida, porém nos apresenta tantos  portos e mares…  Percebi outros mares e muitos outros portos sem-fim. Descobri a letras e os seus mares infinitos… tão infinitos quanto os olhos de quem as lê… Percebi então ‘a letra’, tão cheia de pedaços, de recortes, de gente, tão assim, igual ao que sempre esteve navegando aqui dentro de mim…
Resolvi dar uma chance pra essa linda que se parece tanto com a vida, e aqui estou eu revisando, lendo, escrevendo, vivendo, respirando…
Enfim, aqui estou eu amando viver e sendo tão a mesma e tão outra, e tantas quanto a vida me permitir ser… a coisa mais próxima do que entendi por vocação: se dedicar a uma causa que você sente que faria pra sempre e desde sempre, dando sentido à vida e que a transcende.  Esse sentido que só o Criador poderia me dar e completar a cada mar em que eu [escolher] navegar.

E você, por quais portos já escolheu (ou pretende) se aventurar?

Uma estreia pré-niver

Uma homenagem inspirada ou uma inspiração homenageada?

Vou começar meu blog falando de um dos meus pedaços:

minha maninha, big sis ou simplesmente: lindinha (a favorita da Alice).

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Como explicar essa relação?

“Ser ou não ser, eis a questão”:

Você diz que não quer mais lecionar, mas você insiste em ser cativante em seu jeito de ensinar.

Você diz que não sabe como escolher como eu, mas tudo o que fiz foi tentar imitar você.

O seu jeito carinhoso, profundo e sincero de ser.

Uma pessoa que não suporta viver nessa atmosfera: a atmosfera envenenada pelas relações hipócritas e pelo tapinha nas costas,

Uma sociedade que supervaloriza a superficialidade

Como não seguir o seu exemplo, se foi você quem me apresentou as letras e me fez entender o segredo da Capitu?

Como, se através de suas marcas e pelas suas conversas, eu passei pelas fases que sempre quis?

Como não querer ser você, minha maninha mais velha se tudo o que aprendi foi pela sua paciência e persistência e resiliência… ?

E agora uma pequena confissão, de mim para mim mesma ou para qualquer leitor que por essas letras se aventurar: no que eu penso quando lembro da minha irmã??

Bem, primeiro tem um monte de coisas que eu gostaria de ter feito desde sempre, só porque ela fazia, tipo usar sapato de salto, vestir calça jeans e até pintar o cabelo de acaju.

Lembro também de episódios em que ela foi a única a me acalentar e a me esperar depois da aula, a suportar minhas birras e meus choros (e vejo quanto são vexatórios quando olho pra Alice nessas horas e simplesmente não sei o que fazer).

Pensar na minha irmã me traz à lembrança tantas leituras e universos incríveis de letras criadas por homens inspirados que não se inibiram em aceitar o convite e se levar pelas asas da imaginação. Foi ela quem me ensinou a falar “boy” e “flower”, quem me ensinou o que significa aquela “máxima moderna” “the book is on the table”…rss… Sim, foi com ela que eu descobri o fantástico mundo das outras línguas e foi ela quem me apresentou a infinidade de possibilidades dessas ferramentas de comunicação!

Ela sempre me incentivou e incentiva até hoje, me dizendo que eu a inspiro… Como, se tudo que fiz foi inspirado por você? Você me ensinou o valor de aprender, você sempre me inspirou a ser melhor na arte de aprender… é isso o que penso quando lembro da minha big sis.

Diante disso tudo aqui escrito e de tudo aquilo de lindo que você é pra mim, parte de quem sou e que me inspira a ser como sou, quero dizer que você pode sim, voltar atrás, mudar de ideia e começar tudo de novo, descobrir um novo olhar sobre e se redescobrir nesses olhares. Não há mal em dizer que se arrepende… mal haveria em dizer que nunca se arrependeu e nunca mudou de ideia, de perfume ou de cor preferida. Mudar faz parte do amadurecer, faz parte do aprender, faz parte do viver.

E por falar em viver, viva cada novo dia desse ciclo que o calendário insiste em dizer que começou novamente. Não se envergonhe dos sorrisos e nem das lágrimas, porque elas vêm… e elas regam o coração e nos enchem de forças para suportar o dia duro que chega sem pedir licença. Mas a boa notícia é que os dias alegres também chegam e nos arrebatam sem aviso prévio!

Seja neste ou naquele dia, sempre estarei aqui.

(OBS: Se pudesse faríamos todos aquela loucura do ano passado, mas a vida nem sempre nos permite essas aventuras emocionantes de 2.300 km de carro em 3 dias. Mas pelo menos a gente sabe que ‘cedo ou tarde a gente vai se encontrar’, como diz essa música, meu presente pra você nessa data querida: http://www.youtube.com/watch?v=XdglM81b4g8 )

Te amo minha maninha S2

Da sua little sis …

Mi 😉