[Filhos e pais]

filhos e pais - Copia

“São meus filhos que tomam conta de mim”…

Já dizia a canção…

E se você acordar um belo dia e perceber que a ordem natural não foi aquela que aconteceu [e ainda acontece] com você? Se você perceber que (justo na sua vez!) a vida mudou a ordem natural? [Ou, quem sabe a ordem natural é que todos cuidem de todos? Mas isso deve ser só fruto de uma dor de cabeça pré-pré-tensão-pré-menstrual… rs]

Pessoas nascem e crescem sem uma referência de família, com pais separados, com visitas esporádicas… Tiveram como referência os tios, os avós, que são eternos sobreviventes.

E assim sobreviveram, e cresceram, e amadureceram, e aprenderam com a dura escola da vida diária, e sucederam bem em suas vidas, tão bem que se tornaram referência para os próprios pais e avós e tios e família como um todo.

Eles hoje são aquele ombro amigo que nunca tiveram, dão aquele conselho que nunca receberam, conciliam aqueles que se desesperaram antes e que [infelizmente] ainda se desesperam.

Eles são o equilíbrio que sempre precisaram, são a razão que nunca tiveram e dão a instrução que sempre lhes faltou para quem sempre se ausentou.

E você, culpa seus pais por tudo?

Isso é absurdo, pois eles

“são crianças como você,

O que você vai ser quando você crescer”

Então, não se negue a amar aqueles que você conhece, porque o amanhã pode realmente não existir para eles, e eles não mais existirão para você.

Você pode não existir mais na próxima hora ou no próximo suspiro, e assim, não mais existir para essa vida.

Depois de se gastar, depois de se desgastar, gaste-se mais ainda em nome do amor. No fim das contas, esse será o único vínculo que nos ligará mesmo depois da vida.

[Ou, você pode escolher não querer crescer…

mas, vamos admitir que isso nem sempre é possível]

😉

 

E agora, a música:

Pais e Filhos

Legião Urbana

Estátuas e cofres e paredes pintadas

Ninguém sabe o que aconteceu

Ela se jogou da janela do quinto andar

Nada é fácil de entender

Dorme agora

É só o vento lá fora

Quero colo! Vou fugir de casa

Posso dormir aqui com vocês?

Estou com medo, tive um pesadelo

Só vou voltar depois das três

Meu filho vai ter nome de santo

Quero o nome mais bonito

É preciso amar as pessoas

Como se não houvesse amanhã

Porque se você parar pra pensar

Na verdade não há

Me diz, por que que o céu é azul?

Explica a grande fúria do mundo

São meus filhos

Que tomam conta de mim

Eu moro com a minha mãe

Mas meu pai vem me visitar

Eu moro na rua, não tenho ninguém

Eu moro em qualquer lugar

Já morei em tanta casa

Que nem me lembro mais

Eu moro com os meus pais

É preciso amar as pessoas

Como se não houvesse amanhã

Porque se você parar pra pensar

Na verdade não há

Sou uma gota d’água

Sou um grão de areia

Você me diz que seus pais não te entendem

Mas você não entende seus pais

Você culpa seus pais por tudo, isso é absurdo

São crianças como você

O que você vai ser

Quando você crescer

 

Enquanto ainda somos esCravos

IMG_360835833856108_1
Quantos anos se passaram desde a abolição dessa prática terrível que foi a escravidão?
E como negar que somos feitos da e para a evolução, acompanhada de alguma eventual regressão e até digressão?
Mas ainda assim, não nos perdemos nesse caminho. Ele pode ter começado de forma tão poética e verdadeira como a narrativa do Gênesis e, quem sabe, muito antes de qualquer letra poder registrar, as pequenas partes foram se juntando nessa divina dança da criação.
Quem poderia duvidar?

Quem escraviza mata a pessoa na alma. E quantas almas morreram antes de deixar de viver?

Somos escravos da falta de vida.

E quantas ainda respiram acreditando-se almas viventes?

Não é tarefa fácil definir os limites da intervenção e da liberdade quando se fala de vida em uma sociedade organizada.

Digo isso porque toda regra, sem exceção, tende a ter uma exceção.

Então, por mais civilizados que sejam os nossos códigos,

por mais justas que sejam as nossas leis,

sempre restará aquela pergunta capciosa:

“Quem avaliará os avaliadores?”

“Quem julgará os juízes?”
[Sem ingenuidade ou exagero, o sistema é tão complexo e tão burocrático que realmente deixa margem pra isso.]

Mas o importante é que vivemos num mundo pós-moderno, no qual praticamente todos são livres.

E viva a liberdade!!

Viva? Ou seria morta?

Temo dizer que ela não esteja assim tão viva como queremos acreditar.

Afinal, quem não está preso a algumas horas em um local para trabalhar?

Quem não tem uma condução diária para alcançar?

Quem não tem uma rotina sacra em busca da sobrevivência nossa de cada dia?

Quem de nós não está preso à roda do moinho de águas que precisa girar para abastecer aquele pequeno universo, aquela pequena realidade? São as águas desse moinho que a gente precisa beber para sobreviver.

Que [falta] de vida é essa?

E quem são os poucos que podem dizer que escolheram ou escolhem essa rotina a cada dia?

Quem pode dizer que faz aquilo que gosta como ocupação?

E quem são os que compõem essa minoria sortuda que acorda com um sorriso no rosto [e o som desconfortável de um despertador] ao lembrar que tem que ir trabalhar?

Nem precisamos nos limitar a falar somente de trabalhar, porque no quesito liberdade, já dizia a canção:

“…as grades do condomínio são pra trazer proteção, mas também trazem a dúvida se é você que tá nessa prisão…”

Quantas vezes você olha pra trás para se certificar antes de efetivamente abrir o portão de casa ou da garagem?

Quantas vezes você olhou para o lado para confirmar se não estava sendo abordado em um assalto?

E quantas vezes essa suspeita foi confirmada pelo cano frio na nuca?

Quantas são as pessoas que você já conheceu que sofreram esses abusos?

E quem, quem pode negar que ainda vivemos em tempos de escravidão?

E o que dizer das doenças da mente e do espírito? Dizem ser o mal do século, mas de que século será que estão falando? O contador do  tempo já virou o ano 2001 e ainda vemos essa triste notícia se espalhar no canto dos olhos de quem mal consegue olhar.

Não, ainda não somos livres, porque mal podemos nos expressar sem ter que dosar as palavras e o tom, sem ter medo de uma possível interpretação.

Não, ainda não somos livres, porque temos um prazo de validade de uma geração.

Não, ainda não somos livres.

Não somos livres enquanto ética e moral forem somente conceitos teóricos das aulas de filosofia… enquanto filosofia for assunto para uma pequena minoria…

Mas isso não me impede de tentar.

Isso não me impede de acreditar… acreditar que os tempos mudam, as culturas mudam, mas a verdade essencial, fundamental, essa nunca passará.

E a verdade é que precisamos de vida!

Desde sociedades que viviam e acreditavam na premissa da escravidão como fonte de sustento econômico.

Desde sociedades que viam a mulher como um ser inferiorizado e limitado, subjugado.

Desde sociedades que se fundamentam nas segregações sociais e religiosas.

Desde sociedades que vivem da exploração e da marginalização racial.

Eu acredito que já avançamos algumas pegadas. E vamos continuar avançando para perceber que somos todos essencialmente iguais e essencialmente mortais, essencialmente limitados e essencialmente humanos, essencialmente errôneos e essencialmente geniais.

Somos essencialmente irmãos e precisamos, talvez simplesmente, simplesmente dar as mãos.

Rejuvelhescendo


Há dias em que me sinto a mais inexperiente das pessoas, que insisto em não aprender as lições tão fundamentais daquela época de infância…
Há outros, porém, em que me sinto tão madura e assertiva, pareço mais envelhecida do que meu avô no auge dos seus quase 88 anos…

Quantas são as partes que nos formam?
E quais são as pessoas que formam essas partes?

Somos colchas de retalhos, somos retalhos na grande colcha da vida.

Somos feitos de pequenas percepções, ou talvez sejamos um emaranhado delas.

Que coisa complicada é essa de viver, não acha?
E ainda assim, poucos poderiam negá-la tão simples, tão simples que dá medo de mexer.

Isso é o que chamo de rejuvelhescer:
um pouco de envelhecer que acontece desde que damos o primeiro grito, o primeiro sinal de vida,
um pouco de nascer e renascer a cada nova descoberta banal ou mirabolante,
um pouco de florescer a cada suspiro que damos, nosso corpo passa por uma incrível maratona de troca de gases e elementos até a menor das nossas unidades internas e como consequência, ele floresce vida e nos permite viver até o próximo suspiro que virá, [eu queria que esse loop fosse infinito…]
um pouco de rejuvenescer, quando imortalizamos a nossa pessoa pelas marcas que deixamos: o rastro de nosso caminho, o rastro único da nossa vida na história das pessoas, quem sabe, fazendo um pedaço de história que marcará a História?
E, por que não dizer, que rejuvelhecer é também um pouco de morrer? O morrer que também ocorre a cada novo suspiro e enferruja algumas células e deixa inutilizáveis algumas peças… 
Bom seria se fôssemos repondo as peças: uma de cada vez…

Assim, talvez, poderíamos prolongar o ciclo e voltar:
a nascer
e a renascer,
a viver
e a reviver, 
a florescer, 
a envelhecer, 
a rejuvenescer, 
enfim…
a rejuvelhecer…

Versos para quem [♣] eu ainda não conheci

Screenshot_2014-07-06-16-52-13-1_1
Esse é o texto que eu ainda não fiz
Pra quem eu ainda não conheci
Um texto que eu nunca escrevi
Pra alguém que eu apenas senti

Uma sensação inexplicável
Uma confusão aceitável

Como poderia aceitar de outro modo alguém que chega e vai mudando tudo de lugar?

Uma confissão confusa
Fruto de um sentimento difuso

Uma força diferente
Uma sensação pungente

Nina ou Ícaro?
Ainda não sei

Apenas um ou mais de um?

Se menino, desejo saúde e alegria,
Força e jovialidade.
Vai ser nosso companheiro e protetor por um tempo e depois tomará as asas que bem lhe couberem.

Se menina, mais uma menina será
Uma a mais para fazer frente ao mundo de possibilidades que se multiplicam e que frutificam para nós, o sexo forte.
Vai ser desbravadora como desejar e alcançará os sonhos que sabiamente planejar.

E ainda assim, jovem ou crescido,
Menina ou menino,
Sempre que eu olhar pra você vou me lembrar dessa deliciosa sensação:
Como é ter você e ao mesmo tempo não ter,
Como é poder te sentir antes mesmo de poder te ver,
Como é ser unida a você num mesmo corpo, ainda que temporariamente,
Criar essa conexão para além de qualquer explicação.
E depois aprender a ceder, aprender a deixar crescer, aprender a abrir mão, aprender a dizer sim e,
Às vezes, principalmente a dizer não.
Aprender que a vida tem suas formas de continuação…
E que parte da minha será também em você.

E ainda ficará essa sensação
De que o tempo correu rápido demais
E não esperou eu terminar esses versos que ainda não fiz
Para alguém que ainda não conheci
Mas alguém que eu apenas senti
Depois que senti, eu jamais esqueci.

Meu Deus, será que foi um devaneio,
Ou eu simplesmente adormeci?