SobrEsperar

IMG_1781-2
Como assistir a um desabrochar
Como ver uma árvore se espreguiçar

Se tivéssemos que sentar e apenas observar, concordaríamos que o processo é lento e, de certo modo, doloroso

Porque o esperar não nos deixa ir muito além do objeto da espera
E portanto não nos libera para o próximo passo, ao menos em parte

É um post-it pendurado no mural lembrando que ainda está pendente

O esperar nos encara e nos encosta contra a parede, nos desafia a testar os limites
O limite do “até quando?”
O limite do “até quanto?”
O limite do “até onde?”

E quando achamos que a estrada não tem mais asfalto, descobrimos os caminhos internos, as estradas de terra,
Feitos da matéria de que somos feitos

E ultrapassamos o principal dos limites: o nosso próprio
Batemos as nossas marcas

E percebemos que podemos ir além
E que há sempre um além novo para ser descoberto e alcançado por nós

Isso é esperar:
É um não se limitar se limitando
É um continuar se reinventando
E às vezes é um deixar latejando

É um caminhar solitário
Porém necessário

E então, de repente, como a aurora que se rompe, como o broto que vira flor, como a semente que germina,
A espera termina
E aquela dor não mais desatina

Mas calma, calma,
A espera real tem muitas camadas,

Ela nunca termina

🙂

Anúncios

Ode ao queijo suíço

images

Não somos substituíveis
Todos são insubstituíveis

Ninguém é substituível
Todos somos insubstituíveis

O vazio que você deixar
Só você poderá ocupar
Só você poderá preencher

O vazio que eu deixar
Só eu poderei ocupar
Só eu poderei tornar a preencher

E assim a vida vai passando
Uns vindo
Outra[o]s nos deixando

Os vazios se acumulando

E vamos tomando a forma de um queijo suíço:
Mais buracos vão se formando
Mais buracos vamos deixando

Algumas pessoas [vamos]/vão nos/ mudando
Os nossos caminhos vão se/[nos] transformando

E nossas essências vão se/[nos] misturando
E nossos corações vão se/[nos] aproximando

Ora misturando, ora separando

Ora separando,  ora aproximando

Vão pulsando

Nossas vidas se/[nos] identificando
Vamos nos enxergando como por espelhos nessa vida [IN]comum
Que vamos criando,
Vamos REfletindo
Vamos compartilhando

Fazendo caminhos que per[furam]
Caminhos que se [entre]cruzam
Que se [atraves]sam
Que se per[passam]

Caminhos que se afetam
Caminhos que [nos] afetam

Caminhos de histórias que nos aproximam

De um máximo divisor comum

Ou de um mínimo denominador comum

Nos aproximam de um fio em comum
Nos aproximam de uma linha tênue

Tão forte-frágil
Que a qualquer hora pode ser fortalecida [¿|¡]
Tão frágil-forte
Que a qualquer hora pode ser rompida [!|?]

Nesse tear da vida

Caminhos que nos interpelam
Caminhos que nos revelam
Da forma mais rudimentar e primária:
Todos somos UMA
UNIDADE
[hUManidade]

[Autorretrato]

menina e borboloetas + balao

Uma menina desencaixada
Às vezes leve, às vezes pesada

Uma menina que não sabia o que tinha
Metade princesa e outra rainha

Uma garota insegura
Tinha medo de ser impura

Uma menina que  ainda não sabe o que quer:
Uma parte menina
E a outra já era mulher

Menina encantada, inquieta, levada
Queria saber de coisas do mundo INteiro
E também as coisas do mundo INterno

Era nunca a mesma
Levantava e subIA
VOLTAva e crescIA

Nessa mudança
Ela às vezes se escondia
Ela sempre aprendia

Às vezes errava a dose de simpatia
Às vezes se arrependia
Porque buscava praticar a empatia
Às vezes chorava, às vezes sorria

Sempre vivia
E já não temia
Ser aquela borboleta
Que só Eu via

Aquela borboleta que se divertia
Que encantava e atraia
Que sob o brilho do Sol
Brilhava e reluzia

Contagiava com sua incansável alegria
E fazia do vento
Seu companheiro de acrobacia

Nessa dança ela nunca sabia
Por quais outras transformações ainda passaria

Mas agora ela já não temia
Ela já sabia
Em seu coração ela sentia
Que Eu seria sua eterna e constante Companhia