\Como se conjuga o verbo serMãe/

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Coisas que ninguém consegue dizer no meu lugar de mãe

Coisas que ninguém consegue dizer no seu lugar, Mãe

Afinal, como explicar as horas que você teve que me esperar?

As horas que você me sentiu pesar

As horas que você me sentiu te apertar

As horas que você se sentiu enjoar

Essas horas custam a passar…

São tantas as sensações de segurar uma vida no ventre…

Tem a insegurança

Tem o medo

Às vezes a desesperança…

Tem também a euforia

Tem aquela infinita alegria

E também uma explosão de energia

Misturada com a agonia

Agonia de não saber um monte de coisas…

A começar pela hora do bebê sair

Depois que sai,

Vem a agonia de não saber o que poderá vir

E aos poucos a gente vai se entendendo

Vai se comunicando com aquela linguagem universal

A linguagem maternal

A linguagem do afeto

A linguagem do carinho

Que faz o bebê se sentir no ninho

Depois vêm as noites de cólicas

Os dias de choro inexplicável

Um choro quase inconsolável

Que só tem consolo por causa do verbo serMãe

Por causa do seu colo, Mãe

Tantas noites de sono velado

Tantas noites de sono embalado

Pelo único colo que me  fazia sentir consolada: o colo da minha Mãe

E nesses dias, dias que custam a amanhecer,

Dias de alma aflita…

Noites mal dormidas…

Eu só encontro razões para agradecer

E agradeço a Deus por você,

Minha mãeGuerreira

Tenho certeza que você me deu o melhor que pôde

Tenho certeza que aprendo a fazer o meu melhor tendo o seu apoio

Por tudo o que você fez por MIm e eu sei

Por tudo o que você fez por MIMI e eu não sei

Só tenho que agradecer

Por me ensinar a ser…

Por me ensinar a viver…

Por me ajudar a aprender

Que alcançar a perfeição

É uma mera ilusão

Mas o sincero e profundo amor

É a mais sublime ligação

Que transcende qualquer limitação

Só posso agradecer

Por agora saber

Que nunca estaremos prontas

Que nunca teremos certeza

Que nunca estaremos confortáveis

Nesse papel de serMãe

Agradeço também por me incentivar a ir além

Por sempre querer o meu bem

Obrigada por conjugar esse verbo

Que ainda estou tentando aprender

O serMãe

Obrigada, minha querida mamãe,

Por serMãe

Por ser minhaMãe

#TeAmoMae

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》o navegador divergente《

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Existe uma tendência humana (?) de rejeitar o diferente… Talvez seja visto como ameaça… ameaça ao padrão do tudo igual… tudo normal.

E provavelmente, desde os tempos mais remotos, nossos antepassados aprenderam a construir um padrão que reforçasse a identidade de um grupo, visando fortalecer seus laços.

Isso deve ter sido muito útil pra assegurar a perpetuação da raça ou de um grupo isolado e constantemente ameaçado por feras terríveis.

Hoje, porém, eu tenho lá minhas dúvidas sobre a real utilidade de hábitos protecionistas e sectários como este.

Digo isso porque nos dias atuais,  em pleno século 21, nada seria mais benéfico do que aprender com as diferenças, se possível até somar as diferenças e criar uma grande vantagem pela diversidade criativa.

Nada melhor do que misturar:

O preto com o branco

O velho com o novo

O obsoleto com o moderno

O esquisito e o bonito

O alto com o baixo

O cheiro e o fedor

O largo com o estreito

O monocromático com o colorido

O cabeludo e o careca

A burca e o carnaval

O ortodoxo e o não ortodoxo

A novidade e a reprise

O beijo e o abraço

Porque é mais fácil rejeitar essa figura com cara de terrorista.

É mais fácil rejeitar os transformistas.

E também ignorar os pedintes no caminho.

Repensar nossa atitude é mais difícil. Questionar nossos hábitos é sempre doloroso, porque exige um esforço incomum de mudar por dentro.

Para sobrevivermos como cultura e como sociedade é preciso coragem para começar a mudar e perceber o valor inestimável das diferenças, mas é importante começar por dentro.

Atire a primeira pedra quem nunca mudou. Afinal, como dizia o poeta “mudar é preciso, viver não é preciso”.

[Inspirado no poema de Fernando Pessoa: navegar é preciso, viver não é preciso.

http://textosparareflexao.blogspot.com.br/2010/05/navegar-e-preciso.html?m=1%5D

‘Frágil’

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A vida tem um frágil equilíbrio

Às vezes descobrimos que nossas bases não passam de fios

E nós não passamos de gotículas como o orvalho que adere à fina espessura do fio

Essa gotícula de orvalho:

Se crescer muito, ela cai

Se for muito exposto ao sol, ela seca

Se for acariciada pela brisa, ela pode se desfazer

Difícil encontrar esse equilíbrio

O equilíbrio de viver

Como seria bom se pudéssemos tratar o outro considerando a fragilidade humana

Respeitar o próximo em suas diferenças

Respeitar as pessoas por suas preferências

Exercitar a visão do outro

Exercitar a paciência lembrando que cada um tem suas deficiências

Então, como quem cuida de um amigo que tem uma ferida exposta que quer ver sarar,

Devemos tratar cada um com a máxima cautela

Devemos nos esterilizar:

Na hora de falar

Na hora de olhar

Na hora de abraçar

Na hora de criticar

Na hora de amar

Do contrário, a ferida pode infeccionar

E talvez ele nunca volte a se recuperar

E como uma gota de orvalho ao vento,

Ele pode secar…