o Pi da utoPIa

numero-pi

Encontrar um amigo

É encontrar um abrigo

Um abraço, um “olhar pra fora do umbigo”

 

É acreditar na magia

Num mundo que vê o amor

Como uma mera fantasia

 

É encontrar o último algarismo

No cálculo de Pi

É acreditar na utoPIa

 

É irracional e transcendente

É simples,

É por acidente

 

InCrível e contraditório

Observatório

Seletivo e aleatório

 

Esperançar o desEsperado

É velar o acAmado

Velar o Amado

 

É um distante-perto,

um perto-perto, 

um querer-estar-perto

 

É astral

Uma ligação mental

Um espectro de gente [fora-dA-gente]

 

É militar pelo que se acredita

É crer no que se Des-acredita

É creditar sem fundo

 

É ser o fundo

Ser pro-fundo

Dar fundamento

 

Base para o recomeço

Terra para re-floresço

Chuva para o clima seco

 

Grão para o novedio

Pão para o faminto

Calma para o arredio

 

Nascente

e poEnte

Para a estrela guia

 

Ente querido, escolhido

Gente da gente

Igual, embora diferEnte

 

Nascente

Leito

E Mar

 

Para

O [dis]Curso

do rio

de lágrimas

de risos

de gargalhadas

de cascalhos

de dilemas

de surtos e de problemas

de mistérios

de soluções e de invenções

Que corre

Das fontes da vida

 

Amigo é tudo isso

É nada disso

É o que precisa ser

 

Amigo nunca

deixa

De ser

 

E

sempre

deixa ser

[Somos todAs Bias]

naohouve1

Por toda forma de ser,
Por toda potência de ser,
Pela liberdade de poderSer
[Somos todAs Bias]
[Somos-tod-As-Bias]

Somos todas Bias
Quando assistimos com passividade
Tantas barbáries e maus-tratos em silêncio

Somos toda a Bia
Quando, desde cedo,
Vemos um homem gritar com uma mulher
E assentimos em silêncio

Somos a Bia toda
Quando ouvimos nosso pai dizer que “isso é coisa de menino”
E, logo, você não pode fazer, minha filhinha
E silenciosamente acreditamos

Todas somos a Bia
Quando chamam de puta, piranha e vadia
Uma mulher que mostra o corpo
Uns centímetros a mais do que diz o protocolo

Ou quando uma mulher competente
Ascende em sua profissão
Assume um cargo de gestão

Ou quando uma mulher não quer se casar
Ou não quer ter filhos
E fica bem como está

Somos Bia, Maria, Luzia
Quando aceitamos que uma prostituta
Seja diminuída
Quando, na verdade, a sua função existe
Historicamente para dar ao homem
Satisfação, uma ereção

Eu sou a Bia,
A irmã da Bia,
A mãe da Bia,

Sua avó e sua filha,

Que sente a dor excruciante ao ouvir (do meu irmão)
Que “Quem não se deu ao respeito não merece respeito”
Quando é que essa mania de vigilância/juízo da vida alheia vai passar??

Eu sou a Bia
Quando apanhei da minha mãe [literalmente]
Ao dizer que decidi me separar, pois [meu casamento] era algo em que não mais cria

E sou a amiga da Bia
Quando uma amiga me disse que foi expulsa de casa pela mãe
Ao falar sobre sua bissexualidade

Eu sou a Bia
Todas as vezes que me percebo,
E me identifico com a minoria [mesmo sabendo que somos a maioria]

A Bia somos todas
Que vamos à marcha das vadias
E que não somos só um belo rosto ou belo corpo
[mas somos Também]

Sim, sou a Bia
E quando Espinoza diz que afirmar a nossa potência,
É afirmar a divindade que existe em nós
Então, eu me pergunto, hoje e todos os dias,
O que eu posso ser?

O que nós podemos ser?
Podemos ser tudo que decidirmos ser
Se lutarmos para tanto

Hoje, podemos ser a Bia
Não só hoje, como todos os dias:

Somos,
divinamente,
potencialmente,
TODAS [e todos] A BIA

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Esse post foi publicado originalmente na minha página do Facebook, a respeito do tema Cristo e a Des-colonização dos corpos na IBCaminho, inspirado também pela carta do Jornal Extra: http://extra.globo.com/casos-de-policia/carta-do-extra-aos-leitores-que-nao-viram-um-estupro-no-estupro-19410619.html

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