]O fim do ReComeço]

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Todo fim é um começo

Todo começo é um eterno fim

Viver é um recomeço sem-fim
Um recomeço com fim
Todo aprender é um eterno reaprender
Viver é romper
Todo escrever é sempre um acontecer

Em um dos universos que há

A palavra falada, escrita,
É o que houve
É o que há

Entre a palavra e a ação

Dentro da palavra há ação

Há realização no simples gesto de expressar
Todo comunicar está prenho de uma ideia
Concebida na mente
Gerada do útero das letras

Nascida das entranhas da palavra

Um sintagma,
Um termo carregado de sentido
Um sentido que é sentido, ouvido, percebido
E que pode ou não se converter em ação
E que certamente ao tomar forma de som
[som de todo Tipo

Tipos que simbolizam sons]

Já virou afetAção
No universo das palavras
Concretas
Ditas

Expressas

Essa ideia
Pequena semente,
Já é real ação
Portanto,

RealizAção

Seja o começo do fim
Seja o fim do ReComeço
Todo começo é um fim
Com um fim em Si
Um fim em Mi
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O que Faz um Lar

O que faz um lar

Um lar se faz de paredes e móveis
Cômodos e tábuas
Cortinas e quadros

Hum… talvez seja isso
Mas por certo
Não é “só” isso

Um lar é feito de abraços
Feito de um olhar bondoso
Um escutar atencioso

Um lar
É feito de cheiros
E de sabores
Feito de Lilis
E de Rosas

Um lar é feito de risos
Muitos risos,
Na verdade, de muitas gargalhadas
Aquelas bem infantis
Que contagiam
Até o mais ranzinza de alma

Um lar também é feito de choro
Mas isso também é bom
Pra lavar a alma
E elevar o espírito

Um lar se faz
Até com lições sobre
Algoritmo
(Quem diria?)
E muitas outras lições
Sobre a vida

Um lar é feito de passos apressados no corredor
Acompanhados de gritos:
“Não corram, crianças!”
Ou
“Cadê o chinelo, dona Clara?”

É feito de
Muitos bailes de princesas…
Bolos e lanches,
Rastros de bebês enGatinhando,
Linas, Alices e Claras…
E música alta até dar “a hora de criança dormir”

Tem lar
Que se faz
Com sopas… às segundas e quartas
Frutas… às terças e quintas
(Para os mais exigentes rs)
E pizzas às sextas
(Ebaaaa!! Venham, crianças!!)
E vinho também
(Suco de uva pras crianças :D)

Mas lar mesmo
É a gente que faz

É o que se faz
Com gente
Gente que só é gente
Porque se importa com A gente

Esse gesto de Gente
Me ensinou
Um pouco mais sobre
“O que faz um lar”

Um lar
É aquele lugar
Que quando a gente está
É sempre bom ficar
E quando a gente sai
É sempre bom voltar

Obrigada por fazer deste
Um lugar que eu também
Posso chamar de Lar

E que eu vou LevAR
Em cada
Lar
Por onde
Passar

E que eu vou levar
Para o meu
DoceLar

Onde eu vou guardar
Com a doce lembrança
De vocês:
Queridos tiosAmigos-de-lar
/ \
|_|

Escrevo pra quê?

Eu escrevo pra deixar a alma respirar
Deixar os pensamentos que estavam vagando pelo ar
Se transformarem em palavras
E tentar fazer algum sentido
Com os sentimentos sem sentido

Escrevo pra descansar a mente
Deixar a alma transparente
Falar das coisas que confundem
Coisas que ninguém ousaria dizer aparente

Escrevo pra descarregar os fardos
Jogo as palavras como dardos
Não para acertar alguém
Mas somente pra parar de acertar
O lado de dentro, essa terra de ninguém
Pra parar de andar em uma trajetória irregular e dar fim ao meu tormento

Às vezes são tantas palavras
Que se debatem
Com tanto vigor nesse embate
Que a energia é suficiente pra parti-las em várias pequenas partes
E transbordar em pequenas artes

Sementes que frutificam
Sementes que modificam
Sementes que complicam

Tomara que por fim,
Essa sementes também
Modifiquem o lado de fora
Tanto quanto o lado de dentro
E aliviem a alma desse interminável tormento
Que eu sinto neste exato momento

]sem palavras[

A palavra define

A palavra limita

A palavra mata

A palavra constrói barreiras, dá um tom único, monocromático e invariável, como se aquilo de que se fala nunca mudasse

Mas as coisas não são estáticas…

As coisas mudam

As coisas vivas mudam

E as coisas não vivas indiretamente mudam também

Mas ainda bem que não se vive só de palavras!

Não se vive só de palavras?? Hum… deixa eu pensar…

Acho que quem vive só de palavras, de sua inércia e de sua intransigência

Acaba parando com elas

Acaba se limitando a elas

Acaba morrendo com elas

Mas quem sabe usar a beleza de sua transigência

A beleza de sua efemeridade

A beleza de sua fluidez

Acaba fazendo dela uma boa companhia

Nos momentos de alegria transitiva,

Sabe usar os complementos que a vida oferece

E também, nos momentos de intransição,

Sabe conjugar os verbos que não demandam complementação

Sabe curtir os momentos de solidão

Sabendo alternar entre períodos longos ou curtos

Sabe alternar entre momentos eloquentes e lacônicos

E assim,

Sabendo o momento de coordenar ou subordinar

Sabendo o momento de adicionar ou alternar as opções

A vida se torna uma bela composição

Entrelaçada por verbos e predicados,

Ora com complementos e sujeitos

Ora com sujeitos sem complementos

O importante é cumprir o seu propósito único

E passar a sua palavra adiante

Para o próximo ouvinte, leitor ou viajante

Então, aproveite a visão que as palavras lhe permitirem

Aproveite a viagem!

[Ah, e passe a sua mensagem! Com ou sem palavras]

|?| Quem quer ser vulnerável |?|

Quem quer ser vulnerável? O que é ser vulnerável?

Há definições mais ortodoxas, mas em minhas (muitas) palavras, eu diria que se você mostra suas fragilidades, mostra suas incoerências, mostra seus erros e mostra o seu lado mais obscuro e perturbador, mostra aquilo que normalmente te faria sentir envergonhado, mostra seus monstros internos, então, eu diria que você está sendo vulnerável, porque você está se mostrando em pontos sensíveis, está se deixando expor.

Então, eu torno a perguntar:

Quem quer ser vulnerável?
Quem quer se deixar expor?
Quem quer se mostrar frágil?

Quem quer se mostrar dependente?

Numa realidade em que o mais forte sobrevive, a verdade é que ninguém vai querer ser uma “presa fácil”. Ninguém vai querer se mostrar fraco, que pode ser atingido. Ninguém quer mostrar que depende de algo ou de alguém.

Mas, pensando bem, será? Será que não é um excesso de vaidade dizer que não somos vulneráveis? Será que não é o excesso de autoconfiança na nossa “imagem de super-humano socialmente aceita”? Eu diria que nós somos feitos pra sermos vulneráveis. E ouso arriscar que a nossa felicidade está exatamente em confiar o nosso estado de vulnerabilidade nas mãos das pessoas que escolhemos confiar, das pessoas que escolhemos nos relacionar e, portanto, depender.

Aqueles breves momentos de alegria inexplicável que tentamos eternizar nada mais são do que janelas de uma pura revelação da nossa essência se revelando e se descobrindo no outro, se encantando pela sincera fragilidade compartilhada, comunicada e celebrada.

Tudo bem que nem sempre temos o “poder” da escolha das pessoas, mas sempre temos o “poder” de confiar. Então, eu sou vulnerável a cada pessoa que eu estou disposta a confiar, a me mostrar como realmente sou. E a cada dia que convivo com essa(s) pessoa(s) eu posso escolher me mostrar ou me esconder. Mas sabendo que a cada imperfeição que eu mostrar, a cada rachadura da minha parede que descascar, eu estou dando amostras de pontos onde eu posso ser atingida, mostrando pontos onde minha parede pode rachar, estou dando amostras da minha fragilidade, revelando ao outro que eu desmonto com facilidade. Por outro lado, tenho a nítida impressão de que, fazendo isso, eu também estou juntando forças para ser quem sou. Parece contraditório? Sim, parece. E de fato, quando eu tenho forças para fazer o exercício de me aceitar, eu estou mostrando ao outro que sim, eu tenho fraquezas, mas que eu não vou me rejeitar, eu não vou me boicotar. Fazendo isso, eu estou dizendo que vou me aceitar, e esse simples gesto de me revelar mostra que estou sendo forte o suficiente para ser frágil, sou forte o suficiente para errar, e mesmo assim, me aceitar, e mesmo assim, continuar. Mesmo errando, eu tenho forças para persistir em busca de ser quem sou e de entender o que sou. Encarando os meus monstros, aqueles que geralmente ficam presos no meu quarto escuro, eu estou pronta para assumir que posso errar, posso sangrar, posso decepcionar, mas vou fazer isso com toda a força de uma sincera convicção de quem não busca “a imagem de perfeição”, de quem busca a sua real expressão. Vou viver tentando ser e tentando mostrar que o outro pode me atingir por eu me mostrar assim, tão nua e crua… Tão errante… Tão vibrante com cada pedaço do ser humano imperfeito e incompleto que busca se completar nas pessoas incompletas que ele encontrar e se relacionar. Porque assim, fazendo o exercício de me mostrar, fazendo o exercício de ser vulnerável, eu encontro forças que revelam o meu potencial para criar, para me expressar com transparência e enfim, o meu potencial para ser:

Inquieta

Incerta

Inconstante

Irritante

Incompleta

Inacabada

Indefinida

Sempre mutável…

Sim, sempre vulnerável.

Não, eu não quero ser vulnerável.

Porque ser vulnerável é confiar no outro como quem está pronto pra morrer.

Morrer ao dar sua amizade para o outro.

Morrer ao mostrar suas cicatrizes para o outro.

Morrer ao mostrar o ponto sensível, onde mais dói, e por isso mesmo, onde é mais fácil nos fazer morrer.

Não, eu não quero ser vulnerável.

Mas admito que sou. E nesse exercício de quase-morrer, encontro forças para ser quem sou.

E você, o que é?

Ou melhor, o que quer ser?

==================

A música que me faz pensar no nosso estado vulnerável: o filme que conta a biografia do brilhante Stephen Hawking que se assume vulnerável, e é brilhante!

A teoria de tudo – A game of croquet

<3 Todo o amor que devo a Você <3

Viver nos ensina um bocado…
E viver situações extremas nos dá uma espécie de tratamento intensivo de ensinos das coisas mais importantes da vida
O que eu tenho vivido me ensina muito sobre o amor

O que tenho experimentado nesses últimos dias pode parecer contraditório, mas não é
E tenho aprendido que nos cálculos do amor, por mais que eu me doe, estou sempre devendo
E ao mesmo tempo, por mais paradoxal que isso seja, quanto mais eu dou, mais eu me sinto plena

Em outras palavras:
Não existe medida justa de amor
No amor, somos todos devedores, e portanto “escravos” (no sentido de eternos devedores de amor)
E se alguém algum dia pensar que sente que é “amada o suficiente”, ainda não sentiu o máximo que o amor pode dar
Porque eu não me sinto “amada o suficiente”, eu me sinto muito mais amada do que eu mereço,
Eu me sinto amada “mais do que o suficiente”
Sinto que sou mais amada do que jamais vou ser capaz de retribuir
Sinto que jamais vou fazer por merecer…

Seguindo essa linha,
Percebo que quanto mais eu amo, mais eu me sinto realizada pelo simples fato de amar
Como se fosse um tonel que ao se esvaziar, transborda infinitamente
Quanto mais eu tenho oportunidade de exercitar o amor em pequenos gestos de carinho, numa simples rosa oferecida a uma pessoa, num simples abraço sincero, num sorriso receptivo… quanto mais gestos de carinho gratuito fazemos, mais recompensados nos sentimos pelo simples fato de ser um “agente do amor” e fazer uma pessoa se sentir amada.

Porque o amor é assim:
Não tem medida justa
Não tem medida certa
Abraça sem esperar abraço
E dá sem esperar receber
O amor é um eterno excesso

E quando recebemos, sempre achamos que temos mais do que merecemos
Porque na verdade, em termos de amor, sempre temos mais do que merecemos
Sempre nos sentimos em desequilíbrio na balança
Sempre nos achamos excessivamente agraciados
Sempre nos achamos em débito
E por isso mesmo,
Sempre que pudermos,
Sempre que tivermos uma preciosa oportunidade de dar amor, devemos fazê-lo
Não devemos dar lugar à dúvida da vergonha
Nós, devedores de amor,
Devemos amar
Porque amar é de graça
Porque amar nos enche de graça
Porque amar nos faz flutuar
Porque amar nos faz mudar
Porque amar nos faz melhorar…
Sempre

E também porque eu nunca ouvi alguém dizer que ficou mais vazio depois de dar amor
A lógica do amor é a única
Em que a doação gera um ganho para o doador e também para o receptor
Uma lógica em que o repartir significa multiplicar

Então, quero agradecer a cada um de vocês, amigos de perto, amigos de longe, amigos do trabalho, amigos da igreja, amigos de amigos, família de perto e família de longe… e mesmo você, que eu não conheço de perto, mas que dedicou um carinho que eu senti aqui pertinho. Enfim, você que acha que passou por aqui sem eu perceber…
Cada um de vocês que parou um tempo para ler minhas publicações sobre o momento difícil que estamos passando e ainda se dispôs a pedir em favor do Dani e da minha família.
É o que eu disse acima: isso tudo é AMOR… e nessa conta eu sou sempre devedora… porque esse amor é grande DEMAIS e eu sei que não mereço.

O que eu tenho a dizer a cada um é isso:
Todo o amor que eu devo a você
E jamais poderei devolver
Eu só posso agradecer
E continuo a amar
A próxima pessoa que eu encontrar…

Vou continuar essa círculo virtuoso e amar sempre que a oportunidade vier

Na dúvida, ame sempre que puder
E se não puder, ame mesmo assim
Afinal, você já fez isso por mim
😉

[X] Para balançO

menina fechada para balanço

Hoje é um dia pra se cansar

Um dia pra jogar as pedras no ar e jogá-las no mar

Hoje é um dia pra despejar todo peso que carregamos por dias

Esse despejo pode ser em palavras e pode ser em lágrimas

Essa carga pode ser em forma de canção ou em forma de pura emoção

O mais importante é soltar esse grito da alma… esse grito sofrido

Gritar até perder as forças

Gritar pra poder desanuviar a mente

Pra aliviar a alma que sente

E que às vezes mente pra sustentar uma felicidade aparente

A alma que desfalece porque não se atreve a dizer o que a mente optou por fazer

Por que o mestrado?

Por que mudar de trabalho?

Por que engravidar?

Por que trabalhar?

Por que se deixar levar?

Por que dedicar tempo pra educar?

Por que conversar?

Por que mudar?

Por que ligar?

Por que desligar?

Por que começar?

Por que conectar?

Por que tentar?

Por que viajar?

Por que se entregar?

Por que pintar?

Por que revelar?

Por que pensar?

Por que me importar?

Cadê aquela minha amiga pra me aconselhar?

Ela que sempre tinha uma resposta perfeita pra dar.

Por que eu não aprendi a dar essa resposta?

Por que mesmo estando no segundo terço da vida eu não sei um monte de coisas?

Por que eu tenho que ser forte o tempo todo?

Por que eu tenho que saber o que fazer?

Saber o que falar…

Saber o que não falar…

Saber calar…

Eu só queria me fechar um pouco pra balanço interno.

E se descobrir que tô no vermelho,  eu pinto tudo de verde.

Só pra mudar

😛

[Princes familiar – Alanis Morissette – Será que isso ainda existe?]

-Re-ciclar-

Mandala

começar um novo ciclo

encarar um novo ciclO

 

conhecer o novo

temer o novo

rejeitar o novo

arriscar o novO

 

arriscar o ser

arriscar o temer

arriscar

riscaR

 

riscar o que não acrescenta

limpar o que não se usa

retirar o que só pesa

tiraR

 

tirar a sua própria alma do guarda-roupa

expor ao sol

olhar para ela

desconhecer-se nela

desfazer

conheceR

 

conhecer o que ela quer

valorizar o que ela é

relembrar o que nela pulsa

lembraR

 

lembrar o que a faz vibrar

o que a faz gritar

o que a faz emocionar

o que a faz chorar

o que a faz alegrar

o que a faz repensaR

 

pensar e encontrar os pingos que faltavam

reescrever os ‘is’ que sobravam

recompor aqueles sentimentos embaralhados

encontrar aqueles entendimentos resguardados

aquelas decisões esquecidas

aqueles fios soltos no teaR

 

e voltar a tecer

e voltar a ver

e voltar a reconhecer

aquela imagem que não parecia mais você

aquele reflexo que te fazia emudeceR

 

e perceber

o brilho

reascendeR

 

e o ciclo

refloresceR

 

e aquele pequeno

ser nascer

e se ver

re-nasceR

 

para o ciclo

se re-ciclaR

[Don’t speak – No doubt – http://youtu.be/TR3Vdo5etCQ]

Ode ao queijo suíço

images

Não somos substituíveis
Todos são insubstituíveis

Ninguém é substituível
Todos somos insubstituíveis

O vazio que você deixar
Só você poderá ocupar
Só você poderá preencher

O vazio que eu deixar
Só eu poderei ocupar
Só eu poderei tornar a preencher

E assim a vida vai passando
Uns vindo
Outra[o]s nos deixando

Os vazios se acumulando

E vamos tomando a forma de um queijo suíço:
Mais buracos vão se formando
Mais buracos vamos deixando

Algumas pessoas [vamos]/vão nos/ mudando
Os nossos caminhos vão se/[nos] transformando

E nossas essências vão se/[nos] misturando
E nossos corações vão se/[nos] aproximando

Ora misturando, ora separando

Ora separando,  ora aproximando

Vão pulsando

Nossas vidas se/[nos] identificando
Vamos nos enxergando como por espelhos nessa vida [IN]comum
Que vamos criando,
Vamos REfletindo
Vamos compartilhando

Fazendo caminhos que per[furam]
Caminhos que se [entre]cruzam
Que se [atraves]sam
Que se per[passam]

Caminhos que se afetam
Caminhos que [nos] afetam

Caminhos de histórias que nos aproximam

De um máximo divisor comum

Ou de um mínimo denominador comum

Nos aproximam de um fio em comum
Nos aproximam de uma linha tênue

Tão forte-frágil
Que a qualquer hora pode ser fortalecida [¿|¡]
Tão frágil-forte
Que a qualquer hora pode ser rompida [!|?]

Nesse tear da vida

Caminhos que nos interpelam
Caminhos que nos revelam
Da forma mais rudimentar e primária:
Todos somos UMA
UNIDADE
[hUManidade]

Celebrando a [IM]perfeição

Imperfeito

Aproveitando essa semana de “ressaca” entre eleições…

Sei que não é muito o hábito das pessoas usarem seus blogs pra relatos autodestrutivos e com indícios de boicote, mas numa tendência de olhar a vida sob outro prisma, gostaria de compartilhar com vocês um evento do qual Não fiquei, nem estou minimamente orgulhosa de ter feito, menos ainda de falar, mas aqui fica uma tentativa de se evitar atitudes como essa de serem repetidas e replicadas e valorizadas [exceto pelo aprendizado]:

Como alguns de vocês sabem, eu estou grávida de cinco meses, mas a minha barriga é literalmente ‘de lua’: às vezes aparece pra todo mundo ver e às vezes se esconde no tamanho grande desta que vos fala… mas por que isso é relevante?
Pois bem, chegando no trabalho, minha rotina é: beber água e logo depois ir direto esvaziar a bexiga do copo d’água anterior. E foi exatamente isso que eu fiz num desses dias comuns, exceto pelo fato de surgir uma jovem senhora muito distinta me perguntar se o banheiro estava ocupado, no que eu prontamente respondi “não está, mas estará em poucos segundos” e ela, numa tentativa de evitar um aperto desnecessário antes de ir dar uma palestra, pediu com toda gentileza, como que tentando me comover: “Será que você não pode deixar eu ir bem rapidinho antes de você?” e ainda completou: “É poque eu vou entrar numa palestra agora…” e em seguida me olhou com aquela cara de pidona… de gatinho do Shrek…

*********************

Aqui uma pausa para minha mais recente teoria sobre a falta de cordialidade feminina, fruto de minhas recentes experimentações: tendo vivenciado ao menos quatro meses de gestação e mais alguns anos como motorista [E a vida inteira como portadora dos dois genes ‘XX’], não me faltaram oportunidades de observar que as mulheres, via de regra, não são cordiais nem no trânsito, nem nos meios de transporte (ok, espaço para reclamações, réplicas e tréplicas concedido, mas a minha teoria tem fundamento! Eu vou explicar).
Se você pedir passagem pra uma mulher, há pelo menos 90% de chances de ela não te dar a vez no trânsito. Claro que há homens não muito cordiais no trânsito também, mas normalmente eles são só apressados e competitivos (tipo, quem sai primeiro no sinal, quem chega primeiro num local etc.), e quando você precisa pedir a passagem, a maioria deles dá a passagem, ou, ainda que nãos seja a maioria, certamente será mais do que 10% deles, então já é motivo pra se considerar uma falta de cordialidade quando em especial as mulheres não são solidárias a um pedido de passagem. Ok, além disso, a situação ainda mais crítica, mais frequente e igualmente cruel: a MAIORIA das mulheres simplesmente não dá lugar para gestantes ou idosos(as) que se apresentem numa condução, seja trem, ônibus ou metrô.
Aqui novamente eu deixo espaço pra todas vocês contestarem, mas eu falo do que tenho visto e vivido NA PELE… =(
E, inclusive, para minha GRANDE decepção, eu fiz parte dessa maioria esmagadora… talvez simplesmente pra corroborar [DESorgulhosamente] com essa minha teoria da falta de cordialidade feminina.
Dito isto, voltemos ao relato do banheiro…

***********************

E lá estava eu, diante de um rosto que mais parecia o Gato de Botas, e – pasmem!! – para minha INfelicidade e grande decepção EU apelei pra minha barriga: foi uma questão de segundos, dei aquela olhada profunda pra minha barriga-quase-aparecendo, como quem diz “eu tô com ESSA barriga e você ainda tem a coragem de me pedir a VEZ??!”. A senhora mais que rapidamente entendeu o recado e desistiu da investida… Eu tentei fazer tudo o mais rápido possível e saí do banheiro em um tempo recorde, na tentativa de compensar pelo vexame que tinha feito na “cara do Daniel”, que estava ali, de camarote, assistindo a esse espetáculo da estupidez humana…
Como vocês podem imaginar, a moça já tinha desistido e se resignado ou se apertado ainda mais pra voltar pra palestra, que ainda demorou pelo menos 1 hora inteira pra terminar. Eu, por minha vez, com ares de triunfalista, ainda tentei argumentar comigo mesma (na minha falta de sensibilidade) e me convencer de que “eu estava com a RAZÃO”… quanta estupidez…
E pra minha própria estatística negativa, EU estava com a RAZÃO: nós, mulheres, NÃO somos cordiais… e eu comprovei isso na minha envergonhante pele…
Completando a minha vergonha ainda maior, na mesma semana, num dia em que eu estava realmente MUITO apertada, eu tive a vez cedida por duas gentis mulheres na fila do banheiro. A minha vergonha se completou de vez nessa hora, e eu não pude rejeitar aquela oferta porque a barriga está pesando cada vez mais. E o tapa ainda dói na minha cara… mesmo que a luva tenha sido de pelica.

Então, sim, confesso a minha estupidez da vez e não faço isso só pra parecer a pior das gestantes mal-criadas e insensíveis, mas pra me lembrar de que, apesar de tentar e [de fato] julgar muita gente o tempo todo, eu também preciso me lembrar da trave que está no meu olho antes de olhar para o cisco no olho do meu vizinho, colega de trabalho ou companheiras de condução, que aos meus olhos está tão claro …

E não, NÃO vamos celebrar a estupidez, nem a minha nem a sua. Mas também NÃO vamos fingir que ela NÃO existe.
Que tal simplesmente tirar a pose de perfeito(a) e dar a chance para uma recuperação a cada novo passo, a cada novo dia, como todo bom integrante do AA (alcoólicos anônimos) se considerar esse nosso vício egoísta um trabalho ainda INconcluído?

E você, quer falar da sua última recaída? Vamos nos suportar nessa NÃO celebração?
Da nossa [IM]perfeição?

E a música que inspirou esse vergonhoso post-confissão:
[Perfeição – Legião Urbana]

Vamos celebrar a estupidez humana
A estupidez de todas as nações
O meu país e sua corja de assassinos Covardes, estupradores e ladrões Vamos celebrar a estupidez do povo Nossa polícia e televisão
Vamos celebrar nosso governo
E nosso Estado, que não é nação Celebrar a juventude sem escola
As crianças mortas Celebrar nossa desunião
Vamos celebrar Eros e Thanatos Persephone e Hades
Vamos celebrar nossa tristeza Vamos celebrar nossa vaidade.
Vamos comemorar como idiotas
A cada fevereiro e feriado
Todos os mortos nas estradas
Os mortos por falta de hospitais Vamos celebrar nossa justiça
A ganância e a difamação
Vamos celebrar os preconceitos
O voto dos analfabetos
Comemorar a água podre
E todos os impostos
Queimadas, mentiras e sequestros Nosso castelo de cartas marcadas
O trabalho escravo
Nosso pequeno universo
Toda hipocrisia e toda afetação
Todo roubo e toda a indiferença Vamos celebrar epidemias:
É a festa da torcida campeã.
Vamos celebrar a fome
Não ter a quem ouvir
Não se ter a quem amar
Vamos alimentar o que é maldade Vamos machucar um coração
Vamos celebrar nossa bandeira
Nosso passado de absurdos gloriosos Tudo o que é gratuito e feio
Tudo que é normal
Vamos cantar juntos o Hino Nacional (A lágrima é verdadeira)
Vamos celebrar nossa saudade
E comemorar a nossa solidão.
Vamos festejar a inveja
A intolerância e a incompreensão Vamos celebrar a violência
E esquecer a nossa gente
Que trabalhou honestamente a vida inteira
E agora não tem mais direito a nada Vamos celebrar a aberração
De toda a nossa falta de bom senso Nosso descaso por educação
Vamos celebrar o horror
De tudo isso – com festa, velório e caixão Está tudo morto e enterrado agora
Já que também podemos celebrar
A estupidez de quem cantou esta canção.
Venha, meu coração está com pressa Quando a esperança está dispersa
Só a verdade me liberta
Chega de maldade e ilusão.
Venha, o amor tem sempre a porta aberta
E vem chegando a primavera – Nosso futuro recomeça: Venha, que o que vem é perfeição