Histórias de bicicleta

bike3

Essa é uma daquelas que nos marcam por dizerem muito sobre quem somos genuinamente. Lembro-me dela não só por ter vivido intensamente, mas porque meu pai faz questão de relembrá-la constantemente por orgulho e pela conquista. Foi quando eu aprendi a andar de bicicleta e, sozinha, passei a tarde inteira com aquela Monark antiga. A rua era de barro vermelho do Goiás, pelos idos de 1991, e lá estava eu, menina loirinha e toda encardida de vermelho, descalça e persistente na tarefa de andar de bicicleta: passava de um lado para o outro com aquela Monark mais alta que eu, indo adiante [até o final da rua principal] e desviando dos ônibus de cada 2 horas que passavam pelo bairro com ruas de barro e quebravam aquela quase-solidão. Devo ter começado bem cedo e vi o sol literalmente cruzar o céu nas tentativas que tinham tudo para serem frustradas, não fosse a obstinação quase “maligna” dessa que vos fala… rs.

Finda a tarde e quase no apagar das luzes solares, eis que aquela desbravadora do impossível estava lá e, seja pelo cansaço da própria bicicleta ou porque a persistência leva à perfeição, finalmente consegui encontrar o equilíbrio sobre as duas rodas daquela gigante Monark rosa…

Testemunha do fato: o dono da venda em frente à casa dos meus avós, que fez questão de relatar a façanha. Meu pai até hoje fala: a Michelle, desde pequena sempre foi ‘teimosa’ e, a começar pela insistência na bicicleta, ela sempre consegue o que quer! [E eu até queria que isso fosse SEMPRE verdade…, mas eu ainda estou aprendendo a ser contrariada. O que acontece é que talvez eu esteja aprendendo a lidar com o mundo e seus diversos tons, seja de cores ou de sons.]

Repasso esse episódio com tanta frequência, seja pelo meu pai ou por mim mesma, que acabei acreditando que sou persistente e determinada em tudo o que faço. Sempre que vejo alguém falando de andar de bicicleta (e aprender), me pego revivendo claramente a minha façanha e sensação de “missão cumprida”. Levo isso até hoje: meus objetivos independem das pessoas e do que elas façam ou deixem de fazer – o que tenho que fazer, eu tenho que fazer pelo simples prazer de saber que minhas metas pessoais [e criteriosas] foram cumpridas.

Acho que é isso, mais uma amostra da Michelle aos pedaços 😉